Você está aqui
Home > Entrevistas Exclusivas > Exclusivo: Confira um bate papo com Helinho Castroneves

Exclusivo: Confira um bate papo com Helinho Castroneves

2Helio Castroneves é o primeiro piloto da história do automobilismo a vencer consecutivamente as 500 milhas de Indianápolis em suas duas primeiras largadas, em 2001 e 2002. Ganhou “O Grande Espetáculo do automobilismo” em 2009; é conhecido por comemorar suas vitórias escalando o alambrado após receber a bandeirada. Sua grande personalidade, seu sorriso contagiante e seu entusiasmo, o torna uma verdadeira estrela do automobilismo.

Em 2015, o brasileiro demonstrou mais uma vez a velocidade, talento, e determinação necessárias para ser considerado um dos melhores pilotos da elite. Castroneves foi 5º colocado no ano passado, após diversos momentos de superação na pista. Nesta temporada, Castroneves retorna para a sua 17ª temporada com a equipe Penske.

Na entrevista exclusiva, conversamos de tudo um pouco. Falamos sobre o início de carreira, sua experiência na Fórmula 1, a falta de um título na categoria, o interesse pela Nascar e declara com toda convicção: “Prefiro vencer a Indy 500 pela quarta vez do que o campeonato”

Confira abaixo um bate-papo descontraído com o ‘Spider-Man’

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Para iniciarmos, conte-me como foi o início da sua carreira. Ouvi dizer que seu pai chegou a falir para bancar a sua carreira, isso é verdade? Como foi lidar com essa situação?
Helio Castroneves: Eu comecei no kart, mas antes disso já frequentava os autódromos porque meu pai tinha uma equipe de Stock Car e o piloto era o Alfredo Guaraná Menezes. Foi o Guaraná, aliás, quem me deu o kart de presente e me deu as primeiras lições. Como você sabe, o automobilismo é um esporte muito caro, mas mesmo assim minha família fez todo o possível para me manter nas pistas. O problema da falência, de fato, ocorreu. Foi uma confusão e minha carreira quase acabou, mas é aquela coisa: desistir, jamais. Mas faltou pouco.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Quem foi seu grande ídolo no automobilismo? Por quê?
Helio Castroneves: Eu sou da geração que cresceu vendo o Ayrton Senna. Ele era meu ídolo e tive a felicidade de conhecê-lo, correr com ele na fazenda que ele tinha em Tatuí e, sem dúvida, são lembranças muito boas.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: O que o piloto sente no momento de um acidente a mais de 350 km/h? Como lidar com o medo?
Helio Castroneves: Na hora você não sente nada. Você só fica esperando a pancada e torcendo para não se machucar. O medo existe, claro, mas não na forma de pavor, tipo: “Meu Deus, não consigo fazer isso!”. Não, nada disso. Ele tem de existir na forma de prudência, em respeito aos limites e permitindo que a evolução ocorra gradativamente. O cara que não tem medo e acha que é um super homem, o que pode tudo, terá dificuldades pela frente. Vejo o medo como uma ferramenta para você aprimorar os seus limites. Agora, quando a coisa quebra e você não tem o que fazer, aí a coisa fica feia (risos).

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Você está na categoria norte-americana desde 1998 e por hora infelizmente não conseguiu nenhum título. Como lidar com essa situação?
Helio Castroneves: Estou na Indy desde 1998 e na Penske desde 2000. Eu encaro como um desafio. Sabe aquela história de quando as dificuldades são maiores o gosto da vitória fica mais gostoso? É mais ou menos por aí. Esse é um grande objetivo de minha carreira e todo ano dou o meu melhor. Bati na trave quatro vezes já, mas não desisto. Vou continuar tentando.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: O que representa a Indy 500 pra você? Abriria mão das três vitórias por um título na categoria?
Helio Castroneves: Se você me perguntar o que para mim é mais importante, eu diria que prefiro vencer a Indy 500 pela quarta vez do que o campeonato. Não me entenda mal, tenho o maior desejo de ser campeão, mas a Indy 500 é especial. O ideal seria vencer a quarta Indy 500 agora no dia 29 de maio, dia da 100ª edição da corrida, e fechar o ano como campeão. Aí sim, ficaria feliz. Mas se tiver de escolher, fico com Indianápolis.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Você está há muito tempo na Penske. Não tem como pensar na Indycar sem pensar no Helinho. Já chegou a pensar em sua aposentadoria? Como anda o seu contrato com o time do Roger?
Helio Castroneves: Meu contrato com a Penske é de longo prazo, a gente só analisa um ou outro detalhe no começo da temporada e toca o barco. Estou muito bem na Penske e pretendo ficar por aqui muito tempo. É como se fosse a minha família e nem penso em aposentadoria. Claro que na Indy eu terei de parar um dia, mas certamente correrei de outra coisa se for o caso. Eu tenho 40 anos e, honestamente, acho que tenho por baixo mais 10 anos de carreira, fácil.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Escutei alguns boatos sobre o seu interesse em disputar a Nascar após a sua aposentadoria na Indycar. Isso procede?
Helio Castroneves: Não é boato, não. Eu realmente já pedi ao Roger (Penske – chefe da equipe) para correr, mas ele não concorda. Acha que a Nascar não é para mim. Mas no futuro, quem sabe, né? Tenho muita curiosidade de guiar o maior número de carros diferentes possível, então, não vejo isso como sendo impossível. Não é a meta, vou ser honesto com você, mas pode acontecer.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: A exemplo do Rubinho (Barrichello), podemos esperar ‘futuramente’ o “Spider Man” na Stock Car?
Helio Castroneves: Coloco na mesma situação da Nascar. Não é a meta, mas, no futuro, quem sabe, né?

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: O que achou da passagem do Rubinho (Barrichello) pela Indycar?
Helio Castroneves: Sensacional. Ele elevou o nível da equipe e ajudou a divulgar a categoria bastante. Além disso, foi ótimo estar com ele mais tempo. Demos boas risadas. O Rubinho é um querido amigo.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Em 2008, você foi acusado nos Estados Unidos de evasão fiscal e levou algum tempinho pra ser absolvido. Como foi administrar a sua carreira nessa época? Como foi lidar com essa situação?
Helio Castroneves: Foi difícil, claro. Foi uma experiência que eu não recomendo a ninguém. É muito duro você se ver acusado sabendo que é inocente. Mas graças a Deus a justiça norte-americana entendeu a minha inocência e tudo isso é passado, mas não nego, as feridas ficam.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Falando um pouco de Fórmula 1. Você chegou a testar um carro em 2002 pela extinta Toyota, não? Como foi a experiência? Realmente chega ser mais potente em relação a um carro da Indycar ou isso é pura mitologia?
Helio Castroneves: Adorei pilotar o carro da F1. Serviu como uma luva para mim, mas não gostei da política. Já tinha vencido a Indy 500 duas vezes, estava bem na Penske e resolvi ficar. E foi uma decisão correta, pois você viu o que aconteceu com o Cristiano da Matta e com a equipe. O carro era fantástico, com muito mais tecnologia do que os da Indy, mas em termos de velocidade final, os da Indy não perdem nada para os Fórmula 1.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Como funciona o jogo de equipe na Indycar. Seria semelhante o da Fórmula 1? Chegou a receber uma ordem de equipe? Caso positivo, como foi?
Helio Castroneves: Não há jogo de equipe na Indy. Pelo menos não na Penske. Nunca recebi uma ordem. Na equipe somos quatro pilotos: eu, o Will, o Juan Pablo e o Simon. Enquanto cada um está com chance de vencer corridas e o campeonato, cada um trabalha da sua maneira. Mas quando chega no final e somente um de nós tem chance de título, naturalmente os outros trabalham para que as chances deste sejam maiores ainda. É o compromisso com a vitória do time. Mas ordem de equipe para deixar o outro vencer, negativo. Na Indy não existe isso.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Sobre o automobilismo brasileiro, que análise faz do atual momento? Acredita que falta categoria de formação? Falta mais apoio por parte da CBA?
Helio Castroneves: O automobilismo brasileiro precisa crescer enquanto negócio. Acho que tem muita coisa boa que pode ser feita, mas alguns conceitos precisam ser mudados. A gente não pode esquecer que há as dificuldades da economia, mas também isso não pode ser motivo para acomodação. Tem de fazer mais e de forma profissional e programada.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Pra encerrar, algumas palavrinhas aos seus fãs…
Helio Castroneves: Quero agradecer ao pessoal do A Toda Velocidade pelo espaço e ao Elton. Conto com a torcida de todo mundo. Muito obrigado e vamos que vamos!

Deixe uma resposta

Top