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Exclusivo: Di Grassi fala sobre a carreira, admiração pela Stock Car e também do automobilismo brasileiro

Foto: Duda Bairros/P1 Media Relations
Foto: Duda Bairros/P1 Media Relations

Lucas di Grassi desde cedo demonstrava paixão pela velocidade. Uma brincadeira iniciada no kart a convite do pai, foi o estímulo que o menino de dez anos precisava para saber o que seria. “Baixei o tempo dele e me apaixonei na hora pelo ‘brinquedo’, revelou o piloto com exclusividade ao site A Toda Velocidade.

Os bons resultados não demoraram a surgir: No mesmo ano foi campeão paulista do interior, vencendo todas as corridas. No ano seguinte Lucas foi campeão sul- americano e ainda conquistou o título pan-americano em 2000.

Em 2002, veio o vice-campeonato brasileiro da F-Renault. Em 2003 foi vice-campeão da F-3 Sul-americana, mesmo disputando apenas a metade da temporada. Em 2004, Aos 19 anos, o brasileiro foi escolhido entre cerca de 100 jovens pilotos de todo o mundo, para fazer parte do programa de desenvolvimento de jovens pilotos da equipe Renault de Formula 1, no qual permaneceu por 4 anos.

Em 2005, venceu o tradicional GP de Macau pela Fórmula 3, repetindo o que já haviam feito os brasileiros Ayrton Senna e Maurício Gugelmin. Para sair com a vitória Lucas superou, entre outros, o polonês Robert Kubica e o alemão Sebastian Vettel.

Em 2010, o piloto fez sua estreia na Fórmula 1, formando dupla com o alemão Timo Glock. Di Grassi fez uma boa temporada, dentro das possibilidades do carro no qual a equipe oferecia. Terminou a temporada à frente do companheiro de equipe. Após não ter seu contrato renovado, o brasileiro foi piloto de testes na Pirelli, fornecedora oficial de pneus da categoria.

Em 2014, passou a competir na Fórmula E com a Audi ABT, vencendo a primeira prova da categoria, disputada em Pequim. Atualmente é o vice líder do campeonato, com apenas 1 ponto de diferença do piloto suíço Sebastièn Buemi.

Confira abaixo a entrevista exclusiva:

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Para iniciarmos, conte-me como foi o início da sua carreira.
Lucas Di Grassi: Meu pai andava de kart por diversão e um dia, quando eu tinha uns 10 anos, eu fui “brincar” com ele. Baixei o tempo dele e me apaixonei na hora pelo ‘brinquedo’. Depois de um tempo começamos a levar o assunto a sério, e aí começaram a vir as vitórias e os títulos no kart. Quando surgiu a Fórmula Renault Brasileira, fiz parte da primeira turma, venci corridas em um grid super competitivo e acabei o ano como vice-campeão. Depois, fiz metade da temporada da F3 Sul-Americana e mesmo assim terminei o ano em segundo; fiz a Fórmula 3 Inglesa e aí entrei para o programa de desenvolvimento de pilotos da Renault, e aí eles bancaram a minha carreira até eu chegar à F1, passando pela F3 Europeia, pelo título em Macau e pela GP2.

Foto: Duda Bairros/P1 Media Relations
Foto: Duda Bairros/P1 Media Relations

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Quem foi seu grande ídolo no automobilismo? Por quê?
Lucas Di Grassi: Ayrton Senna, porque foi simplesmente o melhor de todos.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Como surgiu a Fórmula E em sua vida? Como surgiu a ideia em disputar essa nova categoria?
Lucas Di Grassi: Quando disputei a GP2 em 2008, corri pela equipe Campos, da qual Alejandro Agag, CEO da Fórmula E, era sócio. Desenvolvemos um vínculo muito bom, e quando ele começou a desenvolver o projeto da categoria, me convidou para atuar junto dele como consultor. Depois houve o contato da ABT e tudo passou a fazer ainda mais sentido.

Elton Alexandre  – A Toda VelocidadePoderia descrever a sensação de vencer a primeira corrida da categoria?
Lucas Di Grassi: Vencer qualquer corrida já é um sentimento indescritível. Ter sido o primeiro piloto a vencer na história da categoria trouxe um significado muito especial, mais um marco na minha carreira. Claro que continuo querendo muito mais.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Como funciona o jogo de equipe na Fórmula E. Seria semelhante o da Fórmula 1? Chegou a receber uma ordem de equipe? Caso positivo, como foi?
Lucas Di Grassi: Até agora, comigo, não houve jogo de equipe.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Por que não foi possível continuar na Fórmula 1?
Lucas Di Grassi: Não foi possível continuar por motivos financeiros. As equipes pequenas buscam pilotos pagantes e eu queria ser um piloto profissional.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Você chegou a ser piloto de teste da Pirelli para os pneus da Fórmula 1. Que experiência acrescentou em sua carreira?
Lucas Di Grassi: Foi uma ótima experiência, porque é sempre bom pilotar um carro de Fórmula 1. Esse período de aprendizado com a Pirelli foi muito importante para mim em entender como um pneu funciona e se desgasta, entre outras coisas.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Antes de seguir para a Europa, você chegou disputar a F-Renault em alguns autódromos nacionais. Chegou a correr abertura da Stock Car do ano passado e também uma corrida de Fórmula 3 em Goiânia. Comparado com tamanha experiência nos circuitos europeus, os nossos autódromos estão em qual situação?
Lucas Di Grassi: Os autódromos no Brasil estão com uma qualidade muito inferior aos autódromos europeus em estrutura e gerenciamento. O que é uma pena, porque o Brasil é um país tradicional e com expressão no automobilismo mundial. O gerenciamento não é feito da maneira que deveria ser feita.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Você chegou a trabalhar em alguns projetos com o famoso Herman Tilke. Como surgiu tal convite? Porque escutamos tantas críticas às pistas projetadas pelo arquiteto alemão?
Lucas Di Grassi: Conheci o Tilke quando corria na F1 e acabamos trocando várias ideias sobre pistas, conceitos e projetos em geral. E ele me convidou para prestar consultoria no projeto da pista de Austin, entre outros, e acabei desenhando, depois de ter aprendido com ele, a pista de kart de Florianópolis, e outros projetos. Tenho falado com os responsáveis pelas pistas da F-E e da F1 sobre como melhorar o desenho das pistas e oferecer assim mais chances de ultrapassagem e mais segurança para os pilotos.

Foto: Rafael Gagliano
Foto: Rafael Gagliano

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: A exemplo do Rubinho (Barrichello), podemos esperar ‘futuramente’ o Lucas di Grassi na Stock Car?
Lucas di Grassi: É a principal categoria do automobilismo brasileiro e sim, tenho interesse em participar da categoria no futuro.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Ainda sobre o automobilismo brasileiro, que análise faz do atual momento? Acredita que falta categoria de formação? Falta mais apoio por parte da CBA?
Lucas Di Grassi: De uma forma geral o automobilismo no Brasil precisa ser revisto – no mundo também. Não é questão de falta de categoria de formação, mas sim de gerenciamento e visão conceitual de como o esporte deve ser feito. Nisso inclui as categorias, estruturas, autódromos, regulamentação, incentivos fiscais para seus praticantes. Acho necessária uma completa reforma ideológica sobre a forma que o automobilismo no Brasil é feito, para que assim voltemos a ter no futuro pilotos brasileiros na Fórmula 1.

Elton Alexandre – A Toda Velocidade: Pra encerrar, algumas palavrinhas aos seus fãs.
Lucas di Grassi: Que continuem torcendo que eu vou continuar acelerando! Ah, aproveito também para pedir para vocês votarem em mim no FanBoost da Fórmula E! É só entrar no site ou e clicar na minha foto! Grande abraço a todos e obrigado pelo espaço, Elton.

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