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Matéria Especial: Quando Robert Kubica correu de F-Renault no Brasil

Há pouco mais de sete anos, Robert Kubica estava na cama de um hospital na Itália, cercado de médicos que lutavam para salvar não só a vida, mas a mão e braço direito do piloto. Os ferimentos eram muito graves, resultantes de um acidente sofrido durante um fim de semana de folga da Fórmula 1, no rally Ronde di Andora.

Um guard-rail atravessou o carro do piloto polonês de fora a fora. A reabilitação foi lenta e, embora tenha voltado a competir em outras categorias, especialmente em ralis, Robert Kubica nunca se recuperou totalmente das lesões. Nas primeiras fotos veiculadas depois da batida, o braço dele parecia um spaghetti fora do ponto.

A carreira na Fórmula 1, tão promissora, estava comprometida. O talento de Kubica o levou a doze pódios, uma pole position e uma vitória na Fórmula 1, conquistadas em 2008 pela BMW Sauber. Era um nome comentado dentro da equipe Ferrari para um futuro não muito distante. Mas o acidente atrapalhou tudo.

Se o mundo estava começando a descobrir todo o potencial de Kubica, pelo menos aqui no Brasil as habilidades dele já eram conhecidas havia muito, muito tempo.

Ninguém poderia imaginar, mas aquele polonês feio e narigudo, convidado despretensiosamente para participar da etapa de encerramento da primeira temporada da extinta Fórmula Renault Brasileira – em 2002, em Interlagos – foi a grande atração do fim de semana.

Kubica foi o mais rápido em todos os treinos livres, fez a pole position e ganhou a corrida com mais de dez segundos de vantagem sobre o segundo colocado, Marcos Gomes. “Sabia que ele andaria bem, porque já estava em seu segundo ano na categoria, mas não esperava que fosse tanto assim”, reconhece Marquinhos, que hoje está na Stock Car, onde foi campeão na temporada de 2015.

“Ele pegou a mão da pista rapidamente, não foi tão superior na classificação, mas na corrida acabou abrindo muito, porque eu e o (Sergio) Jimenez estávamos brigando bastante pela segunda posição”, lembra.

Apesar do resultado, Marquinhos e o pai, Paulão Gomes, também campeão da Stock, se divertiram naquele fim de semana apelidando o simpático polonês publicamente de padre Marcelo Rossi. Tudo em função do nariz avantajado, é claro.

Além dele, estavam naquela corrida Daniel Serra e Allam Khodair. Que também reconheceram a velocidade do polonês logo de cara. “Deu para ver que era um piloto muito rápido. Mas é claro que não dava para saber que seria um grande nome da Fórmula 1”, revela Serrinha.

Para ele, a superioridade do adversário não foi apenas em função do talento natural. “Além de ser ótimo piloto, ele estava no segundo ano de F-Renault, tinha feito milhares de quilômetros de treinos com vários jogos de pneu. A experiência era muito maior do que a de qualquer um no grid”, analisa, lembrando que os testes eram proibidos para quem corria no Brasil.

Allam Khodair, que não chegou a completar aquela corrida, reconhece toda a habilidade de Robert Kubica, mas acha que a diferença imposta ao segundo colocado foi apenas circunstancial.

“Se você voltar a fita, ele foi superior, sim, mas na classificação foi somente um ou dois décimos mais rápido. Na corrida, ele abriu porque a briga pelo segundo lugar era forte. O Marquinhos segurou o Jimenez a prova inteira e deu essa falsa impressão de muita diferença, mas não foi”, comenta. ‘Aconteceu a mesma coisa comigo na primeira corrida do ano seguinte. Teve uma briga pelo segundo lugar e eu abri 29 segundos para o segundo! Mais do que ele conseguiu”, completou.

O desempenho espetacular do piloto polonês ainda está fresco na memória dos brasileiros que correram contra ele. Mas e para Kubica? Será que aquela foi só mais uma corrida? Longe disso…

“Tenho ótimas memórias, foi um fim de semana muito bom para mim! Vou me lembrar para sempre daquela corrida. Havia uma atmosfera incrível, única, milhares de torcedores nas arquibancadas. Nunca vi tanto entusiasmo por uma corrida de Fórmula Renault na minha vida. Também fiquei impressionado com o bom ambiente entre pilotos e equipes no Brasil, bem mais calmo e relaxado que na Europa, mesmo com três ou quatro pilotos brigando pelo título. Conhecia alguns pilotos já da época do kart, e considerava todos bem competitivos.”

De fato, a Fórmula Renault Brasileira era um espetáculo muito maior do que as similares europeias. O apoio maciço da montadora permitia maior divulgação, espaço em TV aberta e corridas de rua em cidades belíssimas como Vitória, Florianópolis e, mais tarde, Salvador. O evento era muito bem aproveitado pelos patrocinadores, que lotavam as áreas VIPs, e bem aceito pelo público, que enchia as arquibancadas.

A presença de Robert Kubica, então desconhecido por aqui, acabou sendo a cereja do bolo de um ano mágico de estreia para a categoria, que consagrou Sergio Jimenez como primeiro campeão.

E agora? Prestes a retomar sua carreira na principal categoria do planeta, será que o simpático ‘narigudo’ voltará com força total em 2018? Aguardemos, pois…

Matéria extraída no site oficial da Red Bull

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